CARACETRÍSTICAS INTRÍNSECAS DA RAÇA
Resistência ao calor
Resistência ao calor, à seca, adaptação aos trópicos, cerrado e semiárido. É notória a adaptação da raça às altas temperaturas, tanto pela respiração como pela troca de calor na superfície corporal, perdendo menos líquido pela transpiração. Bebe menos água, sabe se proteger do calor e também resiste mais à insolação direta e às altas temperaturas.
Rusticidade
A raça Curraleiro Pé-Duro é criada nas regiões onde se formou espontaneamente,
moldada pela natureza, sem quase a influência do homem, que apenas manejava os
animais um vez ao ano para a marcação a ferro e fogo, tratamento de algumas
doenças no momento desse manejo, para a venda e condução de boiadas para
longínquos mercados e para o abate local de outros.
Desde tempos coloniais a raça CPD foi formada em duras regiões: a Caatinga e o
Cerrado. Cresceu e multiplicou-se sem pastagens perenes de alto valor proteico e
energético, convivendo com alta insolação e com elevadas temperaturas e frequentes
prolongados períodos de seca, sem mineralizações, sem vermifugações, sem
vacinações.
Alta capacidade de digerir matérias secas, come ramas e folhas fibrosas e secas, às
vezes pouco palatáveis, e não só as gramíneas e leguminosas tenras. Sobrevive em
solos ácidos e pobres. Devido ao seu porte, precisa de pouca comida e no curto espaço
do período chuvoso, as fêmeas ciclam, ciam, são cobertas e emprenham.
Resistência a parasítas
A raça CPD é a raça taurina brasileira mais resistente a parasitas internos e externos
(carrapatos e moscas). Em relação aos carrapatos perde ligeiramente para as raças
zebuínas (tendo sido comparada com o nelore).
Resistência a alimentos tóxicos
Resistência à Erva-de-Rato (Palicourea marc gravii).
Resistência ao Barbatimão (Stryphnodendron coriaceum) – o Barbatimão é uma
árvore de pequeno porte, comum no cerrado piauiense, e que tem folhas tóxicas ao
gado. Foi responsável por muitas mortes de gado, após a introdução dos zebuínos e
com as mestiçagens ocorridas com o já adaptado Pé-Duro, que sempre conviveu bem
com esta planta. Os criadores chamaram a atenção dos pesquisadores para uma
possível resistência do Pé-Duro da região, já que eles não morriam e os exóticos e seus
mestiços morriam em grande número. Trabalhos realizados na UFGo, tendo à frente a
ra. Maria Clorinda Fioravanti, mostraram a maior resistência da raça à intoxicação
causada pela planta, comparada com outros grupamentos raciais.
Precocidade
Novilhas CPD são capazes de emprenhar e parir até o 2º ano de vida, sendo já comum
ver novilhas da raça parirem aos 2,5 anos, quando bem alimentadas.
Fertilidade
A fertilidade da raça é prodigiosa, quando vemos vacas parirem com intervalos de
parto menores que 1 ano, sendo comum vacas estarem prenhes antes de apartarem o
bezerro e novilhas de 2 anos parirem concomitantemente à mãe.
Habilidade materna
As vacas CPD são ótimas mães, tendo facilidade de parto, instinto maternal acentuado,
alta proteção à cria, não sendo vistos casos de abandono de cria pela mãe. Dão leite
suficiente para o seu bezerro e há vacas com produção de leite a pasto com média de 5
litros por dia.
Docilidade e facilidade de manejo
Docilidade e facilidade de manejo por pequenos proprietários (agricultura familiar,
por exemplo) – gado de longa convivência com os humanos, não é agressivo para com
os homens, é pouco exigente, manejado com estruturas de currais e cercas simples.
Muitas vezes nem é necessário um brete para realizar as vacinas e aplicação de
medicamentos.
Longevidade
Vaca de 20 anos de idade, do rebanho da Embrapa Meio Norte, em pleno semiárido,
amamentando seu bezerro e mais um bezerro órfão!
Variabilidade genética
Há alta variabilidade genética na raça CPD, o que pode ser visto pelas várias pelagens,
formatos de chifres também variados em forma e em coloração e variação na presença
ou não de marcações brancas ao redor do focinho, bem como pigmentações escuras
ou não em fêmeas e até em alguns machos.
Sabor diferenciado da carne e do leite, além da maciez e marmoreio.
Maiores detalhes no tópico “Características da Carne”












