Distribuição Geográfica

O seu berço foram as terras ao longo do Sertão do Rio São Francisco, o cognominado, “Rio dos Currais”, havendo duas correntes de expansão: os Sertões de Fora, margeando o litoral nordeste e norte, a partir de Pernambuco e os Sertões de Dentro, progredindo do Rio São Francisco até Piauí e Maranhão. No Piauí, com os seus largos campos, a criação atinge o seu ponto culminante e foi o fator de maior difusão para outras regiões.

No Nordeste, com a criação de gado, moldou-se uma cultura, formaram-se fazendas de gado, vilas e cidades, e até mesmo, Capitanias e depois Estados, como é o caso do Estado do Piauí.

No Nordeste nasceu a Primeira Província Pecuária do Brasil e floresceu a Civilização do Couro. Dessa região espraiou-se para as regiões Centro-Oeste e Norte.

Hoje a raça, que ainda está em risco de extinção, é encontrada na maioria dos estados do Nordeste; no Centro-Oeste há criações nos estados de Goiás, Tocantins, Distrito Federal e Minas Gerais. Na região Norte, há criadores no Pará. No Piauí e Goiás estão os maiores criatórios. No Piauí predominam os animais registrados.

Estimulando criadores de vários estados brasileiros à criação da raça muitos são os aspectos. Existe o atrativo de fazendeiros que buscam suas raízes, retornando à velha raça que formou homens ricos e pobres e que está entrelaçada à história e às tradições locais, mas também porque trabalhos científicos têm mostrado seu valor genético e econômico. Sua rusticidade e adaptação a regiões quentes nestes tempos de aquecimento global, sua importância em cruzamentos com outras raças por estas qualidades e por sua distância genética em relação a todas as raças ditas comerciais, o que favorece a uma grande heterose nesses cruzamentos para criações extensivas, tanto nas zonas secas do Nordeste brasileiro, como nas demais zonas de clima tropical do centro-oeste e do norte. Para culminar, outros trabalhos mostraram a qualidade da sua carne em termos de maciez, marmoreio e sabor. Enxerga-se, ainda, que, além da sua rusticidade, por suas mansidão e facilidade de manejo seria a raça ideal para pequenos pecuaristas da chamada Agricultura Familiar. Ajudaria na fixação do homem dos sertões no meio rural e a manutenção de suas tradições.

Há provas de que pode ser criada em ambientes naturais, sem degradá-lo, mantendo suas paisagens e até enriquecendo-os, como é o caso de criação em RPPN, com autorização do Ibama, no Estado do Piauí.

Está em curso um Projeto de Censo Oficial, estímulo à adesão à ABCPD e cadastro de fazendas, com campanha de registros.