História da raça
A raça Curraleiro Pé-Duro é uma Raça Bovina Nativa Brasileira, que se originou, inicialmente no Nordeste Brasileiro, principalmente, nos vales do Rio São Francisco e vales do Rio Parnaíba, mas sendo criada também em outros vales dos afluentes desses rios e em vales de outros rios do Nordeste.
É de caráter manso para com o homem, embora os touros sejam territorialistas em relação a outros da mesma raça ou de outras. Sua produção caracterizou-se sempre, por ser de caráter extensiva, suportando calor extremo, pastagens ácidas e até a baixa mineralização. São sexualmente precoces, férteis e longevos.
As vacas têm facilidade de parto e ótima habilidade materna. Quando bem alimentadas e com seleção leiteira dentro da raça, tem-se constatado que desmamam bezerros com muito bom peso.
A origem ancestral advém da introdução de vários tipos de animais da Península Ibérica, em sua maioria de Portugal e também de animais oriundos das colônias portuguesas na África: Angola, Guiné, Moçambique, Ilha de Cabo Verde (arquipélago - entreposto comercial), além de animais de outras ilhas, como a da Madeira e as do Arquipélago dos Açores. A comercialização de animais entre a Ibéria, continente africano e essas ilhas, entre elas mesmas e, ainda, delas com as ilhas Canárias (possessão espanhola que também fora possessão portuguesa) era intenso. Na época da introdução desses grupos raciais ainda não havia o conceito formal de “Raça”, que só surgiu em meados do século XVIII.
Hoje existem denominações raciais para os animais encontrados na África SubSaariana:
Abaixo, pode-se ver o clima existente nessas regiões.
Mapa mostrando as principais ilhas portuguesas, espanholas e a relação entre elas e a Península Ibérica, e com o Continente Africano.
A seguir, uma outra visão, distinguindo os nomes dos países da Costa Africana, e que mantinham maior proximidade com as ilhas referidas.
Entrada dos animais se deu, inicialmente, por São Vicente (1532), seguida de
introdução em Pernambuco (1536) e Bahia (1542).
Outras introduções se seguiram a essas.
Concentração inicial nos sertões de Bahia e Pernambuco, notadamente ao longo do
vale do Rio São Francisco, cognominado de Rio dos Currais.
Expansão:
Pelos Sertões de Fora (pernambucanos), subindo pela costa, para Paraíba, Rio Grande
do Norte, Ceará, norte do Piauí e norte do Maranhão.
Pelos Sertões de Dentro baianos seguindo em sentido norte pela margem direita do
Rio São Francisco (Rio dos Currais), tomando rumo oeste, atravessam os limites com o
Piauí, e seguem pelos vales dos afluentes do Rio Parnaíba e, por fim, transpondo-o,
chegaram até o Maranhão. Também, com outros movimentos, penetraram às regiões
interiores dos demais estados do Nordeste.
AVANÇO DO GADO: PERÍODO COLONIAL
Destaque-se que esta região é conhecida, hoje, como Polígono das Secas, com baixíssimas precipitações pluviométricas e, que mais do que muito baixas, são irregulares e muitas vezes se concentram em poucos meses do ano, sendo muito mal distribuídas anualmente.
As regiões do Nordeste e seus biomas:
A caatinga bioma único do Brasil, ocupa grande parte do Nordeste brasileiro, sendo desafiadora pelo solo, clima, vegetação, altas temperaturas, distribuição irregular das chuvas ao longo do ano, baixa umidade do ar alta insolação.
Abaixo pode ser vista a transformação da Caatinga do período seco para o chuvoso:
Na sequência, um resumo do que ocorreu:
Piauí torna-se o maior produtor e exportador de gado em pé e de charque, além de
couro e pelames.
Charqueadas no Piauí e Ceará (vales do Acaraú e Aracati)
Formação de uma raça única no mundo, moldada pelo meio ambiente hostil,
composta por animais muito adaptados a ele.
Decadência da criação nordestina pelas secas e pelas circunstâncias geográficas e de
concentração populacional e econômica.
Introdução do zebu sob a alegação de ser maior, mais rústico e mais produtivo, e
originário de um clima quente, como é o da Índia e, ao mesmo tempo, denegrindo a
raça CPD.
Decadência da raça Curraleiro Pé-Duro e risco de extinção.
Experiência em Sobral como tentativa de salvação da raça da extinção com uma
seleção leiteira, que fracassou.
José Herculano e Embrapa Meio Norte com Fazenda de Conservação em São João do
Piauí.
José Herculano sensibiliza criadores nativistas a criarem a raça e resgatam sua história,
tradições e valor.
Difusão da Raça.
Criação da ABPD e depois da ABCP.












